
2 etapa EJA CRRCAM (@V@)
Ambiente Virtual de Aprendizagem, usado na 2 etapa EJA da Escola CRRCAM no ano de 2021.
01 - O convite da "adulta" Andreza

Entre 1995 e 1997, a rua 15 do conjunto Beija Flor II era meu universo. Das brincadeiras de Manja se Esconde, Garrafão e Cobra ou Passarinho quando faltava luz a noite na rua, após as muitas sobrecargas do transformador da esquina, aos jogos de Super Nintendo em um quartinho da casa da vizinha Joana. Tinha 10, 12 anos de pura falta de tato social, de modo que sempre foi, para mim, muito educativo ouvir o que Andreza Cavalcante tinha para falar.
Andreza era a “adulta” entre nós (talvez esse “nós” se restringisse à mim e ao Neto, vulgo Gato Brocado, mas é cedo para já entrarmos nos apelidos). Cinco anos mais velha, tinha o privilégio de estar sempre um ou cinco passos à frente de nossas experiências, daquelas que eu próprio só começava a ter naquele período. Do meu ponto de vista era alta e esbelta. Olhos castanhos que ficavam esverdeados dependendo da luminosidade. Parecida com uma elfa.
Dos sábios conselhos da “adulta” Andressa, o que ainda ecoa em minhas lembranças foi o de não comer três pães inteiros, junto com um pacote de biscoito recheado e uma garrafa de coca cola de 600ml tudo de uma só vez no lanche da tarde, para não ficar com estrias na barriga, como supostamente começava a aparecer em seu irmão Neto, com quem dividi boa parte das aventuras infantis daquele período, mas (seguindo o conselho de Andressa) quase nunca o segui em suas aventuras gustativas.
Andressa era assim, sabia o que falava, ao menos para nós: pirralhos. Também sabia escolher time de futebol para torcer, ao contrário de sua irmã Adriana (Lucas, vizinho da frente da casa de Andressa, concordava comigo nesse ponto). No entanto, o melhor de tudo era que Andressa soube escolher o namorado correto para aquela data. Tratava-se de um xará que tinha o mesmo mau gosto para times quanto Adriana, mas com quem me divertia um bocado ouvindo suas piadas, enquanto (agora sei) atrapalhava o “namoro de portão” de Andressa. Caía a noite, e se estivessem ambos conversando no portão da casa era só me aproximar e perguntar para o moço “que time é o teu?” para começar a ladainha. “Bateu na trave e entrou no teu” indo longe, até onde a criatividade pudesse nos levar.
Décadas mais tarde, foi justo essa adulta Andreza, pois assim como Hélios, outras Andrezas deixaram suas histórias na rua 15, que me reconduziu ao grupo de Whatsapp onde essas e outras histórias se encontram. Thanks!
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02 - Uma volta pela rua 15

A rua 15 fora, nos primórdios, a última rua do Conjunto Beija Flor 2. Para depois da casa do Lincoln e do Fabinho, apenas Matintas Pereiras, Sacis, pessoas caindo em fossas, cuja tampa havia quebrado nas primeiras habitações da ocupação que se iniciava por ali, além de uma vegetação a ser explorada onde, nos finais de semana, Dona Lucimar e Seu Deuzivaldo (vulgo meus pais) iam buscar paú (adubo natural) para cultivar suas, sempre presentes, plantas em nosso jardim e quintal.
A entrada da rua era aquela: vindos da rua 14 (famosa rua 14!) uma via sem número (14,5 talvez) conduzia à rua 15. Curva para a direita, feita por um atalho entre flores brancas de quatro pétalas que sempre surgiam por ali, ladeando a casa de Débora, Jordana, Júnior e o pequeno Aldrey. Quem não quisesse pegar o atalho, seguia na “14,5” até o início da rua 15, onde ficava o poste com o transformador que sempre explodia, na entrada da “casa secreta” de Talau, Teisi, Tagride, Terrene e outros T’s.
Á esquerda da rua 15, uma primeira casa de murros altos, a segunda casa do bebê Iraúna; então a casa 211, minha morada, de onde, em algum momento, saí para dar uma volta em minha bicicleta, na rua. A próxima casa, subindo a rua, depois da 211 era a casa da Laica (muitos ciúmes decorreram da Laica). A frente da minha casa, do outro lado da rua, a moradia de Michael (“Maycon”), até que se mudou para o conjunto Duque de Caxias e além. A casa depois da de Michael teve vários moradores, alternando tempo de desocupação.
Antes de iniciar meu passeio de bicicleta, dava uma olhada ao redor e comtemplava tudo isso para então subir a rua dirigindo minha bike ao meu modo exótico de conduzi-la. Ocorre que eu não sabia andar de bicicleta. Os Netos, os Fábios e as Adrianas da rua sim, sabiam. Então a forma de me parecer um pouco com eles era “andar” de bicicleta, nem que fosse literalmente. Então seguia empurrando a “Monark” do início até o final da rua. E de lá, de volta para casa.
Vergonha para o ciclismo brasileiro e para meu irmão Renato. Mas olhando pelo lado positivo, sobrou mais tempo, em meus passos pequenos, de apreciar a morada dos tantos amigos que tive naquela rua. Fossem as casas de Lucas e Luciano, lá pelo meio da rua. Fosse a casa da mulher que furava nossas bolas “dente de leite” que caiam em seu quintal.
Outras personagens que povoaram a rua 15, ficam para outro dia.
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