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Histórias, perdidas no tempo, de estudantes do Ensino Fundamental de antes da virada do milênio.
01 - O convite da "adulta" Andreza

Entre 1995 e 1997, a rua 15 do conjunto Beija Flor II era meu universo. Das brincadeiras de Manja se Esconde, Garrafão e Cobra ou Passarinho quando faltava luz a noite na rua, após as muitas sobrecargas do transformador da esquina, aos jogos de Super Nintendo em um quartinho da casa da vizinha Joana. Tinha 10, 12 anos de pura falta de tato social, de modo que sempre foi, para mim, muito educativo ouvir o que Andreza Cavalcante tinha para falar.
Andreza era a “adulta” entre nós (talvez esse “nós” se restringisse à mim e ao Neto, vulgo Gato Brocado, mas é cedo para já entrarmos nos apelidos). Cinco anos mais velha, tinha o privilégio de estar sempre um ou cinco passos à frente de nossas experiências, daquelas que eu próprio só começava a ter naquele período. Do meu ponto de vista era alta e esbelta. Olhos castanhos que ficavam esverdeados dependendo da luminosidade. Parecida com uma elfa.
Dos sábios conselhos da “adulta” Andressa, o que ainda ecoa em minhas lembranças foi o de não comer três pães inteiros, junto com um pacote de biscoito recheado e uma garrafa de coca cola de 600ml tudo de uma só vez no lanche da tarde, para não ficar com estrias na barriga, como supostamente começava a aparecer em seu irmão Neto, com quem dividi boa parte das aventuras infantis daquele período, mas (seguindo o conselho de Andressa) quase nunca o segui em suas aventuras gustativas.
Andressa era assim, sabia o que falava, ao menos para nós: pirralhos. Também sabia escolher time de futebol para torcer, ao contrário de sua irmã Adriana (Lucas, vizinho da frente da casa de Andressa, concordava comigo nesse ponto). No entanto, o melhor de tudo era que Andressa soube escolher o namorado correto para aquela data. Tratava-se de um xará que tinha o mesmo mau gosto para times quanto Adriana, mas com quem me divertia um bocado ouvindo suas piadas, enquanto (agora sei) atrapalhava o “namoro de portão” de Andressa. Caía a noite, e se estivessem ambos conversando no portão da casa era só me aproximar e perguntar para o moço “que time é o teu?” para começar a ladainha. “Bateu na trave e entrou no teu” indo longe, até onde a criatividade pudesse nos levar.
Décadas mais tarde, foi justo essa adulta Andreza, pois assim como Hélios, outras Andrezas deixaram suas histórias na rua 15, que me reconduziu ao grupo de Whatsapp onde essas e outras histórias se encontram. Thanks!
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02 - Uma volta pela rua 15

Aos dose anos de idade a DIT familiar funciona da seguinte maneira: os pais cuidam da hospedagem e alimentação, enquanto os filhos cuidam de trazer boas notas para casa. Entre os França, tivemos a participação da tia Fátima que reservou para o sobrinho, que chegava de outras paragens, uma vaga na melhor escola de Roraima, segundo se dizia na época: a escola Padrão Monteiro Lobato. E foi assim que eu fui viver minhas manhãs entre alguns conhecidos – Vem a cabeça; de imediato Alison, Catariana, Karen, Luana, Leonan da sexta série 63 em 1998 e Ana Karon, Ane Carolina, Thalita, Thiago Fernandes, Thiago Vencato e Handel da sétima série 75 em 1999.
Enquanto isso Eurico, Kelson, Matias Júnior, Cielle Printes, Malba, Bruno Trentin, Rodrigo Barroso, Virgílio, Marjore Cabral, Dsoaruelson Leite, Melania, Tyfany Wilson, Rafael Gregoratto, Rodrigo Carvalho Tatiane, Rodrigo Yared, Daniel Martins, Mariana, Rosyele dos Santos, Archimedes Cavalcante, Kenndra Hernandes, Johnattan Saraiva, Mourão, Patrícia Feijó e Paula Frampton (reencontrados em turma de whatsapp algumas décadas mais tarde), viviam suas próprias aventuras, que cruzaram às apresentas nesses textos aqui e ali, fosse comendo nas longas mesas do refeitório na hora do lanche, fosse alinhados lado a lado em tempo de cantar o hino nacional ao hastear a bandeira antes de entrar nas salas de aula ou fosse nos corredores, gramado (sem grama) ou quadra da escola fazendo isso e aquilo de os jovens estudantes no Monteiro Lobato faziam. Desses Bibiana Uchôa e Paloma, a segunda melhor bailarina da escola, e alguns mais, terão certamente suas histórias próprias a serem contadas nessas páginas.
Assim todos nós buscávamos conseguir as melhores notas nas provas passadas pelo corpo de docente da diretora Edinelza Farias ao mesmo tempo que dávamos um jeito de encontrar formas de encontrarmos nossas próximas felicidades, fossem participando de clubes de xadrez ou dança, fossem jogando RPG ou verdade e consequência, fosse jogando 5 corte ou dançando Boi-bumbá, ou mesmo encontrando outras formas de diversão menos acadêmicas, por assim dizer, como correr de kart na praça do garimpeiro, jogar Resident Evil na Panteira, depois da praça, ou pulando a cerca do terminal de integração para poupar o dinheiro do ônibus e comprar tubaína de coxinha com as fichas plásticas do ônibus. Notas e diversões, nossos objetivos.
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Aula 03

DIa de Feira
Aula 04

Na feira de Camtá tem...
Aula 05

Água é vida parente!
Aula 06

Descobrindo o nosso país
Aula 07

Continentes e oceanos
Aula 08

Capacidades físicas
